terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Scooby-Doo! em Uma Noite Das Arábias

Já a algum tempo venho me dedicando, por nenhum motivo em especial, a assistir tudo que é possível de Scooby-Doo... Isso é, até um determinado ponto, sobre o qual falarei mais tarde. Mas enfim, estou chegando perto da minha meta, e para comemorar resolvi dedicar essa crítica ao filme que assisti ontem: “Scooby-Doo! em Uma Noite Das Arábias”.

            Pra falar a verdade, eu nem ia falar desse filme. Fui assisti-lo achando que seria apenas mais um filme besta do Scooby-Doo. Mas, assim que comecei a vê-lo, cheguei a conclusão de que precisava falar sobre ele. Por quê? Porque ele é tão ruim, mas tão ruim... Que de certa forma vale a pena assisti-lo apenas pela zoeira.
            “Scooby-Doo! em Uma Noite das Arábias” foi lançado diretamente na TV em 1994. Curiosamente, foi a última animação do Scooby-Doo antes da Hanna-Barbera ser incorporada à Warner Bros. Animation. Para os que conhecem a dublagem original em inglês de Scooby-Doo (embora, cá entre nós, quem que assiste Scooby-Doo em inglês?!), essa foi também a última animação do Scooby-Doo a ser dublada em conjunto por Don Messick e Casey Kasem, que vinham fazendo respectivamente as vozes de Scooby-Doo e Salsicha desde o início da franquia, em 1969. Don Messick viria a falecer em 1997, e Casey Kasem abandonou o Salsicha em 1995 após se assumir como vegetariano e recusar dublar o personagem em um comercial do Burger King.
            Não, eu não estou inventando isso. Quase trinta anos dublando um personagem, e tudo isso acaba porque o dublador não quis falar “Que delícia” para um Whopper. Eu... Não sei o que falar disso.
            Mas enfim, voltando para “Uma Noite das Arábias”, o primeiríssimo problema que se nota no filme é sua animação. Entendam a Hanna-Barbera sempre foi conhecida por sua animação... Limitada, pra não dizer menos, mas sempre ao menos tentou manter um mínimo de padrão de qualidade. E “Uma Noite das Arábias” está beeeeeem abaixo desse padrão. Para efeito de comparação, é assim que Salsicha e Scooby se pareciam em “Scooby-Doo e o Lobisomem”, lançado apenas seis anos antes:

            Assim é que eles se parecem em “Uma Noite das Arábias”:

            Supõe-se que animações tenham uma qualidade melhor com o tempo, não pior!
            A Wikipedia chama essa animação de “estilizada”, mais achatada, mas eu não acho que “estilo” é a palavra certa para o motivo da animação ser assim. “Falta de dinheiro” soa mais correto, por algum motivo.
            Enfim, quanto ao enredo, o filme começa com Salsicha e Scooby voando em um tapete mágico até o palácio do califa de... Do califado de... Califado, para arrumar um emprego que surgiu como provadores reais. Porque eles estão indo sozinhos e não com o resto da turma? Como eles souberam dessa vaga de emprego?  Por que eles estão viajando em um tapete mágico? Mantenha essas perguntas na cabeça, porque O FILME NUNCA AS RESPONDE!

            De qualquer forma, Salsicha e Scooby, ao invés de apenas provarem a comida do califa pra ver se estava envenenada, acabam comendo o banquete inteiro (puxa, quem podia imaginar!), e ao tentarem fugir de serem executados acabam por se esconder no harém.
            Hããã, filme... Como você pretende explicar às crianças o que é um harém? Ou porque só o califa pode entrar lá, como você insiste em deixar claro? Só dizendo, é um detalhe um tanto controverso no qual se focar.
            Coincidentemente, esse é o dia em que o califa irá escolher uma esposa. E ele até diz que quer uma que seja inteligente, que saiba de música, livros, moda...
            E o que ele faz? É claro que se apaixona por Salsicha, que está disfarçado de... Hã... Habitante do harém, sem que este diga uma única palavra! Porque afinal, pra que inteligência, conhecimento e talento se você tem uma barbicha?!
            Mas é claro que Salsicha e Scooby, sendo os mestres das fugas que são, vão ter algum plano bem engraçado para fugirem e a gente rir um pouco...
            Ou ele pode ter a ideia brilhaaaante de contar uma história para o califa na esperança de este dormir no meio. Claro! O que pode acontecer de errado?!
            E é assim que Salsicha decide contar a história de Aliyah-Din. Sim, escrito dessa forma. Pergunto-me de que sucesso de bilheteria que estreou apenas dois anos antes os criadores desse filme tiraram essa ideia...

            Claramente eles se inspiraram em “Esqueceram de Mim 2”.
            A história de Aliyah-Din, sendo bem sincero... Não começa tão mal assim. Claro, continua com a animação ruim e muita coisa que copiaram de “Esqueceram de Mim 2”, mas os diálogos não são ruins, e o ritmo desse começo é surpreendentemente lento e agradável.

            Que foi? O filme continua sendo ruim, mas ao menos alguma coisa boa tem!
            Nessa versão de “Esqueceram de Mim 2”, o sultão está preocupado com seu filho, pois o velho está morrendo e o príncipe, para se tornar sultão, precisa estar casado... Por algum motivo. O sultão quer a felicidade de seu filho, mas também não tem tanto tempo de vida assim pra ficar esperando a garota certa aparecer. Então ele ordena que todas as garotas nobres do reino venham ao palácio para que o príncipe escolha uma delas para casar.
            
            Espere um pouco, isso não é “Esqueceram de... Ah, esquece, a essa altura a piada já perdeu a graça! Isso não é “Aladdin”, isso é “Cinderela”! (Se bem que, se você for pensar, ambos são bem parecidos, não?)
            É, isso é definitivamente “Cinderela”! Tanto que o príncipe se apaixona a primeira vista por uma garota pobre que vê pela janela, sem nunca ter falado com ela! (quem nunca?)
            
                Coincidentemente, descobrimos que o vizir, que é o vilão do filme (puxa, quem podia imaginar!) também está de olho na garota, que se chama Aliyah-Din. Sim, Aliyah-Din é a garota, não o príncipe. Eu fiquei tão surpreso quanto vocês. Enfim, o vizir está de olho nela porque ela é a única com coração puro o suficiente para pegar a lâmpada mágica, o único jeito de o vizir assumir o trono. Quem diz isso a ele é um tal de Lorde do Amuleto, ao qual o vizir serve. Sim, esse é o nome dele. Porque aparentemente Pedra Verde Falante do Mal era comprido demais. Qual o objetivo desse tal de Lorde do Amuleto? Porque ele está tão interessado em o vizir assumir o trono? Quais são seus poderes? Porque o vizir tem tanto medo dele? Mantenha essas perguntas na cabeça, porque O FILME NUNCA AS RESPONDE!
            De qualquer forma, o vizir consegue convencer Aliyah-Din a entrar na caverna, ela toca em alguma coisa que não devia, a caverna se fecha, blá-blá-blá quando é que o gênio vai aparecer?!

...
...
...
O ZÉ COLMEIA?????!!!!!!!
É sério isso?! O Zé Colmeia é o gênio?! É sério?! Quem que teve uma ideia brilhaaaaaaaante dessas?!
            E não só qualquer Zé Colmeia: Um Zé Colmeia que fala em rimas!... De vez em quando. E que só... Apenas... Exclusivamente... Fala em comida. Isso talvez seja engraçado em um episódio de Zé Colmeia, mas em um filme onde ele supostamente é um gênio, isso fica irritante ráááááápido.
            E, infelizmente, a partir daí o filme fica bem ruinzinho, pra falar a verdade: O vizir consegue o trono sem a lâmpada (mas então, por quê?... Ah, deixa pra lá!), ele é derrotado facilmente apesar de ter todo o poder do universo, há uma revelaçãozinha no final que pra falar a verdade todos já esperavam...
Não que não aja coisas boas. A cena em que o vizir consegue todo o poder do universo é até que impressionante, apesar da animação limitada. E o final, por mais óbvio que seja, não deixa de ser relativamente bem escrito.

Tem até um momento de reza. É, tem uma cena no filme que eu só consigo descrever como um “chamado divino”, na qual Aliyah-Din do nada começa a rezar pra Alá. E não estamos falando de uma rezinha, estamos falando de uma oração completa! Claro, por que não?

A essa altura, vocês já devem imaginar que falei tudo o que é possível falar sobre esse filme, não? Bom... E se eu lhes contasse que estamos apenas na metade dele?
Pois é, infelizmente tenho que dar essa notícia. O filme dura apenas 69 minutos, mas meu, senti cada um deles ao assisti-lo! Depois dessa história, Salsicha ainda decide contar UMA SEGUNDA HISTÓRIA para o califa! E Scooby-Doo esse tempo todo está escondido embaixo de um divã! Porque afinal, em um filme chamado “Scooby-Doo! em Uma Noite das Arábias”, não podemos deixar que o personagem cujo nome está no maldito título apareça por mais do que dez minutos no filme inteiro! Caramba, o Zé Colmeia aparece por mais tempo que o Scooby!
Enfim, essa segunda história é sobre Sinbad... Que, por algum motivo, não é o capitão de algum navio. Ao invés dele, temos como capitão...

Essa criatura irritante. (suspiro) Por que personagens baixinhos sempre são tão irritantes em desenhos da Hanna-Barbera?! Tudo o que esse capitão faz no filme inteiro é gritar e gritar e gritar e gritar... Após três minutos eu já estava tapando os ouvidos para eles não sangrarem.
Bom, mas se ele não é Sinbad... Quem que é?

(bate a cabeça violentamente na mesa) MAGUILLA????!!! Até o Maguilla aparece por mais tempo nesse filme do que o Scooby-Doo?! Pra que?!
E além disso, é sério que a Hanna-Barbera achou que seria legal botar o MAGUILLA pra “interpretar” o Sinbad? Eu sei que eles geralmente se focavam mais no humor do que em qualquer outra coisa, mas mesmo assim!
Mas, gorilas interpretando uns dos principais heróis das “Mil e Uma Noites” à parte, esse segmento é... Péssimo. Por vinte minutos tudo o que vemos é o capitão gritando e apanhando por aí enquanto Maguilla age como um completo idiota e nada lhe acontece. Tudo coisa que os Looney Tunes já fizeram antes, muito mais engraçado, mais bem escrito e mais bem animado. Aqui... É só chato. Ao final, eu não me importava mais se o califa iria se casar com Salsicha ou não, apenas queria ver o fim daquilo.
Então sim, “Scooby-Doo! em Uma Noite das Arábias” é sem dúvida um filme bem ruim. Mas de certa forma... Uma vez que você não tem QUAISQUER esperanças quanto a ele... De certa forma ele fica engraçado. Claro, as piadas do filme continuam sem graça, mas ao mesmo tempo você acaba rindo do quão surrealmente ruim o filme é. Você não ri com o filme, você ri do filme. Uma realidade um pouco triste, sim, mas na minha opinião, assistir o filme pela zoeira é o único jeito de aproveitá-lo para alguma coisa.


Avaliação: Não vale a pena... A menos que seja pela zoeira

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